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quarta-feira, 2 de novembro de 2011
quinta-feira, 3 de março de 2011
Estados Unidos da América: Estado de exceção
Bradley Manning está tendo que lutar por sua sanidade

( http://mariafro.com.br/wordpress/?p=22676 )
Por Alexander Cockburn da “First Post”, versão on-line da “The Week” britânica via Te Bloga
08/01/2011
Nos últimos sete meses, aos 22 anos de idade o soldado do Exército dos EUA Bradley Manning, primeiro em uma prisão militar no Kuwait, agora numa prisão em Quantico, Virgínia, permanece por de 23 a 24 horas em confinamento solitário em sua cela, sob assédio constante. Se os seus olhos se fecham às cinco horas – às oito horas ele é sacudido e acordado. Durante o dia claro ele tem que responder “sim” aos guardas a cada cinco minutos. Durante uma hora por dia, ele é levado para outra cela onde ele anda sobre figuras em formato de oito. Se ele parar, ele é levado de volta à sua outra cela (de confinamento).
Manning é acusado de fornecer documentos para Julian Assange no Wikileaks. Ele não foi julgado nem condenado. Visitantes relataram que Manning está indo ladeira abaixo, tanto mental como fisicamente. Os esforços de seu advogado para melhorar sua condição têm sido recusados pelo Exército.
As acusações de que seu tratamento equivale à tortura são rebatidas por conservadores proeminentes indignados que clamam para que ele seja executado sumariamente. Depois que o colunista Glenn Greenwald divulgado tratamento Manning, em meados de dezembro, houve uma comoção moderada. A comissão da ONU sobre a tortura está investigando o caso.
Enquanto isso, Manning passa meses, senão anos, no mesmo regime. Será que ele vai acabar como acusado de Chicago Jose Padilla, quatro anos em total isolamento e silêncio antes de seu julgamento em 2007? Padilla foi condenado como um terrorista aos 17 anos, depois do seu advogado ter sido informado pelos funcionários da prisão que ele havia se tornado dócil e inativo ao ponto de parecer “parte da mobília”.
Já no início de 2011, a tortura está solidamente instalada no arsenal repressívo americano. Não nas sombras onde costumava esconder-se, mas de frente, de modo central, vigorosamente aplaudida por políticos proeminentes. A reação para escoar a humilhação pela cultura da liberdade, na medida em que, antes do Natal viajantes americanos começaram a se rebelar as revistas invasivas pat-down, conduzidos por equipes de segurança aérea da TSA. Eles se queixaram de serem apalpados em torno de seios e virilhas.
Secretamente, sempre houve muita tortura, assim como houve assassinatos. Após a Segunda Guerra Mundial, o antecessor da CIA, OSS, importou especialistas nazistas em técnicas de interrogatório. Mas isso foi à época de Guerra Fria da concorrência: do Tio Sam, o Bom contra os russos e chineses sujos. O governo dos EUA adotavam medidas desesperadas para abafar as acusações de que seus agentes da CIA ou da USAID praticavam tortura.
Um caso famoso foi o de Dan Mitrione, trabalhando para a Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional, ensinando refinadas técnicas de tortura para habilitar interrogadores brasileiros e uruguaios.
Mitrione acabou seqüestrado pela guerrilha tupamaro e executado, tornando-se objeto do filme Estado de Sítio de Costa Gavras. A CIA montou grande acobertamento de operações para tentar desacreditar as denúncias contra Mitrione, citado como tendo dito uma vez aos seus alunos: “A dor precisa, no lugar preciso, no valor preciso, para o efeito desejado”
A consciência liberal americana começou a fazer a sua acomodação com a tortura em junho de 1977, que foi o mês em que o Sunday Times de Londres publicou uma grande exposição sobre a tortura de palestinos pelas forças armadas de Israel e da agência de segurança Shin Bet. De repente, aliados americanos e de Israel estavam argumentando que certas técnicas – a privação sensorial, posições de stress prolongado enquanto encapuzados, o encarceramento em pequenas “células” ou caixotes, etc – de alguma forma não eram realmente a tortura, ou era moralmente justificável a tortura no âmbito da teoria da “bomba-relógio”.
Adiante, o espetáculo de Alan Dershowitz, professor da Harvard Law School, um defensor supostamente liberal dos direitos civis, recomendando a Israel a noção de “tortura garantida”. Os alvos seriam “submetidos a medidas físicas monitoradas judicialmente concebidos para causar a dor excruciante, sem deixar danos permanentes”. Uma forma de tortura recomendada pelo professor de Harvard, foi “a agulha esterilizada inserida debaixo das unhas”.
Com a Grande Guerra ao Terror, lançado após o ataque ao World Trade Center em 11 de Setembro de 2001, a tortura continuou sua marcha em plena luz do dia, comandada pelo secretário de defesa de George W. Bush, Donald Rumsfeld.
Na Baía de Guantánamo, foi Rumsfeld deu autorização verbal e, posteriormente, aprovação por escrito à tortura de suspeitos, utilizando as técnicas de notório isolamento, privação do sono e da degradação psíquica, o próprio Secretário de Defesa gerenciou as humilhações, alguns delas envolvendo roupas íntimas femininas.
No caso de Abu Ghraib, no Iraque, há novamente um rastro de evidências de que Rumsfeld foi quem autorizou pessoalmente a manutenção a manutenção de prisioneiros em situação de stress e a exploração de fobias individuais, tais como o medo de cães, a privação do sono e a simulação de afogamento.
Um oficial do exército dos EUA, Janis Karpinski, descreveu a descoberta em Abu Ghraib de um documento em um escritório usados pelos interrogadores. Era um memorando assinado por Rumsfeld, autorizando técnicas como o uso de cães, posições de stress e fome. No papel, de autoria de Rumsfeld, a instrução foi lapidar: “Certifique-se que isso acontecerá!”
No front doméstico, a tortura como um modo drástico de controle social exuberantemente e florido tem sido usada no sistema penitenciário norte-americano, cuja população cresceu como foguete de 1970 para os atuais 2,5 milhões. Informalmente, são utilizados cada vez mais estupro masculino, os cada vez mais sádicos isolamentos e privação sensorial prolongadas – uma condição que leva atualmente cerca de 25.000 prisioneiros à loucura.
Conforme os anos Bush chegaram ao fim, os liberais se atreveram a ter esperança de que a regra da lei de extradição voltasse a ser respeitada e, com isso, o respeito as proibições internacionalmente acordadas sobre a tortura e tratamento de combatentes. Cresceu a esperança de que os torturadores, sem o comando de Bush, enfrentaria acusações formais. O candidato Obama ventilou essa esperança.
Em 21 de janeiro de 1977, em seu primeiro dia no cargo, o presidente Jimmy Carter cumpriu a sua promessa de campanha, a emissão de um perdão para aqueles que evitaram servir na guerra do Vietnã os EUA. Aos que fugiram ou recusaram o alistamento. Se ele tivesse esperado um mês ou dois, com os ânimos amornando ele poderia muito bem ter perdido a coragem.
Em seu segundo dia no cargo, o presidente Barack Obama assinou uma série de ordens executivas para fechar o centro de detenção de Guantánamo dentro de um ano e a proibição dos métodos mais severos de interrogatório e revisão por crimes de guerra militar. Em sua primeira seção conjunta no Congresso, uma semana depois, Obama declarou que: “Eu posso estar aqui esta noite e dizer sem medo nem equívoco que os Estados Unidos da América não torturam Nós podemos firmar esse compromisso aqui esta noite.”.
Poucos dias depois destas falsas garantias, os advogados de Obama do Departamento de Justiça estava informando os juízes dos EUA, em termos explícitos, que o novo governo não estaria alterando as políticas de Bush sobre o estatuto jurídico de extradição dos supostos combatentes inimigos.
Advogados do Departamento de Justiça de Obama sublinharam aos juízes, assim como diziam os advogados de Bush, que prisioneiros apreendidos pelo governo dos EUA e transportados para prisões secretas para serem torturados não terão amparo nos tribunais dos EUA e que o regime Obama não tinha obrigações legais para defender ou mesmo admitir suas defesas em qualquer tribunal dos EUA. Aos “combatentes inimigos” não seria concedida proteção jurídica internacional, seja no campo de batalha no Afeganistão ou, ainda que raptados pelas forças dos EUA, em qualquer lugar do mundo.
O sistema de tortura está florescendo, e as fronteiras do império norte-americano são marcadas por centros de tortura no exterior, tais como Bagram. Há ainda detidos em Guantamo – 174 de novembro do ano passado para cá. Eles serão supostamente destinados a uma Supermax em Illinois. Manning luta pela sua sanidade em Quantico.
Aviso a David Cameron (Primeiro Ministro do Reino Unido): resista a todos os pedidos de extradição do governo dos EUA, alegando que os acusados de terrorismo não poderão esperar outra coisa, senão a tortura e um julgamento ilegal.

( http://mariafro.com.br/wordpress/?p=22676 )
Por Alexander Cockburn da “First Post”, versão on-line da “The Week” britânica via Te Bloga
08/01/2011
Nos últimos sete meses, aos 22 anos de idade o soldado do Exército dos EUA Bradley Manning, primeiro em uma prisão militar no Kuwait, agora numa prisão em Quantico, Virgínia, permanece por de 23 a 24 horas em confinamento solitário em sua cela, sob assédio constante. Se os seus olhos se fecham às cinco horas – às oito horas ele é sacudido e acordado. Durante o dia claro ele tem que responder “sim” aos guardas a cada cinco minutos. Durante uma hora por dia, ele é levado para outra cela onde ele anda sobre figuras em formato de oito. Se ele parar, ele é levado de volta à sua outra cela (de confinamento).
Manning é acusado de fornecer documentos para Julian Assange no Wikileaks. Ele não foi julgado nem condenado. Visitantes relataram que Manning está indo ladeira abaixo, tanto mental como fisicamente. Os esforços de seu advogado para melhorar sua condição têm sido recusados pelo Exército.
As acusações de que seu tratamento equivale à tortura são rebatidas por conservadores proeminentes indignados que clamam para que ele seja executado sumariamente. Depois que o colunista Glenn Greenwald divulgado tratamento Manning, em meados de dezembro, houve uma comoção moderada. A comissão da ONU sobre a tortura está investigando o caso.
Enquanto isso, Manning passa meses, senão anos, no mesmo regime. Será que ele vai acabar como acusado de Chicago Jose Padilla, quatro anos em total isolamento e silêncio antes de seu julgamento em 2007? Padilla foi condenado como um terrorista aos 17 anos, depois do seu advogado ter sido informado pelos funcionários da prisão que ele havia se tornado dócil e inativo ao ponto de parecer “parte da mobília”.
Já no início de 2011, a tortura está solidamente instalada no arsenal repressívo americano. Não nas sombras onde costumava esconder-se, mas de frente, de modo central, vigorosamente aplaudida por políticos proeminentes. A reação para escoar a humilhação pela cultura da liberdade, na medida em que, antes do Natal viajantes americanos começaram a se rebelar as revistas invasivas pat-down, conduzidos por equipes de segurança aérea da TSA. Eles se queixaram de serem apalpados em torno de seios e virilhas.
Secretamente, sempre houve muita tortura, assim como houve assassinatos. Após a Segunda Guerra Mundial, o antecessor da CIA, OSS, importou especialistas nazistas em técnicas de interrogatório. Mas isso foi à época de Guerra Fria da concorrência: do Tio Sam, o Bom contra os russos e chineses sujos. O governo dos EUA adotavam medidas desesperadas para abafar as acusações de que seus agentes da CIA ou da USAID praticavam tortura.
Um caso famoso foi o de Dan Mitrione, trabalhando para a Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional, ensinando refinadas técnicas de tortura para habilitar interrogadores brasileiros e uruguaios.
Mitrione acabou seqüestrado pela guerrilha tupamaro e executado, tornando-se objeto do filme Estado de Sítio de Costa Gavras. A CIA montou grande acobertamento de operações para tentar desacreditar as denúncias contra Mitrione, citado como tendo dito uma vez aos seus alunos: “A dor precisa, no lugar preciso, no valor preciso, para o efeito desejado”
A consciência liberal americana começou a fazer a sua acomodação com a tortura em junho de 1977, que foi o mês em que o Sunday Times de Londres publicou uma grande exposição sobre a tortura de palestinos pelas forças armadas de Israel e da agência de segurança Shin Bet. De repente, aliados americanos e de Israel estavam argumentando que certas técnicas – a privação sensorial, posições de stress prolongado enquanto encapuzados, o encarceramento em pequenas “células” ou caixotes, etc – de alguma forma não eram realmente a tortura, ou era moralmente justificável a tortura no âmbito da teoria da “bomba-relógio”.
Adiante, o espetáculo de Alan Dershowitz, professor da Harvard Law School, um defensor supostamente liberal dos direitos civis, recomendando a Israel a noção de “tortura garantida”. Os alvos seriam “submetidos a medidas físicas monitoradas judicialmente concebidos para causar a dor excruciante, sem deixar danos permanentes”. Uma forma de tortura recomendada pelo professor de Harvard, foi “a agulha esterilizada inserida debaixo das unhas”.
Com a Grande Guerra ao Terror, lançado após o ataque ao World Trade Center em 11 de Setembro de 2001, a tortura continuou sua marcha em plena luz do dia, comandada pelo secretário de defesa de George W. Bush, Donald Rumsfeld.
Na Baía de Guantánamo, foi Rumsfeld deu autorização verbal e, posteriormente, aprovação por escrito à tortura de suspeitos, utilizando as técnicas de notório isolamento, privação do sono e da degradação psíquica, o próprio Secretário de Defesa gerenciou as humilhações, alguns delas envolvendo roupas íntimas femininas.
No caso de Abu Ghraib, no Iraque, há novamente um rastro de evidências de que Rumsfeld foi quem autorizou pessoalmente a manutenção a manutenção de prisioneiros em situação de stress e a exploração de fobias individuais, tais como o medo de cães, a privação do sono e a simulação de afogamento.
Um oficial do exército dos EUA, Janis Karpinski, descreveu a descoberta em Abu Ghraib de um documento em um escritório usados pelos interrogadores. Era um memorando assinado por Rumsfeld, autorizando técnicas como o uso de cães, posições de stress e fome. No papel, de autoria de Rumsfeld, a instrução foi lapidar: “Certifique-se que isso acontecerá!”
No front doméstico, a tortura como um modo drástico de controle social exuberantemente e florido tem sido usada no sistema penitenciário norte-americano, cuja população cresceu como foguete de 1970 para os atuais 2,5 milhões. Informalmente, são utilizados cada vez mais estupro masculino, os cada vez mais sádicos isolamentos e privação sensorial prolongadas – uma condição que leva atualmente cerca de 25.000 prisioneiros à loucura.
Conforme os anos Bush chegaram ao fim, os liberais se atreveram a ter esperança de que a regra da lei de extradição voltasse a ser respeitada e, com isso, o respeito as proibições internacionalmente acordadas sobre a tortura e tratamento de combatentes. Cresceu a esperança de que os torturadores, sem o comando de Bush, enfrentaria acusações formais. O candidato Obama ventilou essa esperança.
Em 21 de janeiro de 1977, em seu primeiro dia no cargo, o presidente Jimmy Carter cumpriu a sua promessa de campanha, a emissão de um perdão para aqueles que evitaram servir na guerra do Vietnã os EUA. Aos que fugiram ou recusaram o alistamento. Se ele tivesse esperado um mês ou dois, com os ânimos amornando ele poderia muito bem ter perdido a coragem.
Em seu segundo dia no cargo, o presidente Barack Obama assinou uma série de ordens executivas para fechar o centro de detenção de Guantánamo dentro de um ano e a proibição dos métodos mais severos de interrogatório e revisão por crimes de guerra militar. Em sua primeira seção conjunta no Congresso, uma semana depois, Obama declarou que: “Eu posso estar aqui esta noite e dizer sem medo nem equívoco que os Estados Unidos da América não torturam Nós podemos firmar esse compromisso aqui esta noite.”.
Poucos dias depois destas falsas garantias, os advogados de Obama do Departamento de Justiça estava informando os juízes dos EUA, em termos explícitos, que o novo governo não estaria alterando as políticas de Bush sobre o estatuto jurídico de extradição dos supostos combatentes inimigos.
Advogados do Departamento de Justiça de Obama sublinharam aos juízes, assim como diziam os advogados de Bush, que prisioneiros apreendidos pelo governo dos EUA e transportados para prisões secretas para serem torturados não terão amparo nos tribunais dos EUA e que o regime Obama não tinha obrigações legais para defender ou mesmo admitir suas defesas em qualquer tribunal dos EUA. Aos “combatentes inimigos” não seria concedida proteção jurídica internacional, seja no campo de batalha no Afeganistão ou, ainda que raptados pelas forças dos EUA, em qualquer lugar do mundo.
O sistema de tortura está florescendo, e as fronteiras do império norte-americano são marcadas por centros de tortura no exterior, tais como Bagram. Há ainda detidos em Guantamo – 174 de novembro do ano passado para cá. Eles serão supostamente destinados a uma Supermax em Illinois. Manning luta pela sua sanidade em Quantico.
Aviso a David Cameron (Primeiro Ministro do Reino Unido): resista a todos os pedidos de extradição do governo dos EUA, alegando que os acusados de terrorismo não poderão esperar outra coisa, senão a tortura e um julgamento ilegal.
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Sobre o atentado terrorista na Grécia
Após bombas, Grécia suspende correio internacional aéreo (BBC Brasil, 03.10.2010)
Zizek nota bem que o efeito mais impressionante da política de "guerra ao terror" foi esvaziar toda a movimentação anti-globalização que agitava a europa e os EUA até o ano 2000. Não é espantoso, se assumirmos que há mesmo correlação, que quando surgem novos focos de conflito contra a atual configuração do capitalismo mundial - como é o caso grego, com todas as impopulares medidas de austeridade tomadas pelo governo e toda a reação política por parte dos movimentos sociais -, surjam também esses atentados e, com eles, a imposição da grade ideológica do anti-terrorismo. Na França, aparece uma gravação atribuída a Bin Laden vociferando contra as proibições do governo francês aos símbolos do Islã exatamente no mesmo momento em que as grandes movimentações contra a reforma previdenciária tomam as ruas. O terrorismo-antiterrorismo é o curinga ideológico do neoliberalismo-neoconservadorismo. As leis de exceção anti-terroristas - se já apontam para a falência do horizonte normativo de um "estado de direito", e se por enquanto se expressa principalmente na xenofobia e no preconceito racial contra os povos orientais - em breve transvazar-se-ão, na medida mesma em que o sistema financeiro se degringola, e aparecem novos sujeitos anticapitalistas.
Zizek nota bem que o efeito mais impressionante da política de "guerra ao terror" foi esvaziar toda a movimentação anti-globalização que agitava a europa e os EUA até o ano 2000. Não é espantoso, se assumirmos que há mesmo correlação, que quando surgem novos focos de conflito contra a atual configuração do capitalismo mundial - como é o caso grego, com todas as impopulares medidas de austeridade tomadas pelo governo e toda a reação política por parte dos movimentos sociais -, surjam também esses atentados e, com eles, a imposição da grade ideológica do anti-terrorismo. Na França, aparece uma gravação atribuída a Bin Laden vociferando contra as proibições do governo francês aos símbolos do Islã exatamente no mesmo momento em que as grandes movimentações contra a reforma previdenciária tomam as ruas. O terrorismo-antiterrorismo é o curinga ideológico do neoliberalismo-neoconservadorismo. As leis de exceção anti-terroristas - se já apontam para a falência do horizonte normativo de um "estado de direito", e se por enquanto se expressa principalmente na xenofobia e no preconceito racial contra os povos orientais - em breve transvazar-se-ão, na medida mesma em que o sistema financeiro se degringola, e aparecem novos sujeitos anticapitalistas.
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
O Papa é do DEM?
Papa condena aborto e pede para bispos brasileiros orientarem politicamente fiéis (Folha de S. Paulo 28.10.2010)
Grande coisa. Eis o que tenho a dizer sobre isso:
Não é o Papa que está ali do lado do trabalhador do campo quando são perseguidos, ameaçados e executados nos conflitos no campo. Não é o Papa que denuncia as violações de DDHH por parte de fazendeiros e seus capangas. Não é o Papa que está ali do lado do preso quando é mal-tratado, esmagado numa cela junto com mais 30, torturado por funcionários ou executado por outros presos. Não é o Papa que está ali do lado acompanhando a situação dos menores abandonados. Não e o Papa que está perto de miséria e fome e injustiça.
São os padres militantes, como os das Pastorais, que estão ali, que ultrapassam a picuinha moral e estão preocupados com a questão social, porque a vêem bem à sua frente, e oferecem uma verdadeira resposta moral a ela. Padres que não recusam seu papel político nos conflitos, que são figuras em simbiose com as comunidades, cuja autoridade não está referendada por uma hierarquia rígida lá do outro lado do Atlântico. Ao contrário, é um tipo especial latino-americano, perseguido desde antes da Guerra Fria, que está do lado dos marginalizados, que foi combatido com a "renovação carismática", preterido por padres conservadores e xaropes, como aqueles que usam o momento do sermão pra criticar o big brother brasil e outras futilidades, ao invés de olhar de frente o demônio da desigualdade social.
Enquanto esses padres militantes sentem sua força moral quando em nome dos desfavorecidos, os conservadores só sentem sua força quando são muito mais fracos aqueles que foram nomeados como seus inimigos. São fervorosos, mostram toda a disposição para o combate, quando do outro lado do campo de batalha estão, por exemplo, mulheres que escolhem abortar e não podem conversar sobre o assunto livremente. É tamanha a falsidade de consciência, que, pra justificar sua mecânica de linchamento, falam sempre em nome de abstrações e projetam em suas nemesis uma falsa ameaça. Como quando se opõem a homossexuais acusando neles um risco à espécie humana. Ou quando opõem-se às pesquisas com células-tronco e falam, tal como na objeção ao aborto, em nome de um bebê abstrato que supostamente vive nelas. Esses conservadores sempre buscam "testar sua fé", mostrar seu valor de mensageiro da palavra, contra os mais fracos.
A hierarquia católica foi defendida a ferro e fogo desde os tempos do nunca; essa hierarquia, do ponto de vista da burocracia religiosa, é seu valor mais caro. Então é preciso que se diga: a intenção do vaticano não é exatamente empulhar a eleição de Dilma Rousseff, muito menos o Papa se simpatiza com José Serra. Bento XVI, assim como fizera João Paulo II, dá sequência a uma antiga luta entre, de um lado, a cúpula da hierarquia católica, e, do outro, os curas do terceiro mundo que, à revelia das diretrizes políticas do Vaticano, se solidarizam com os oprimidos nas situações políticas. Uma declaração dessas por parte do papa serve para forçar o amansamento político dessas figuras dissidentes e a cooptação dos jovens seminaristas para o lado "do bem", e não do lado dos "comunistas subversivos que querem instalar uma república sindicalista no Brasil" (já que Serra nos trouxe de volta aos anos 60...)
Não devemos nos assustar com o papa "do bem". Mais ainda: acho que não devemos superestimar o poder desses movimentos político-religiosos dessas eleições. Somos "o maior país católico do mundo", mas desde o século XIX, Nina Rodrigues já sabia que, em um país de diferentes raças coexistindo, essas estatísticas costumam enganar facilmente. Ou, como disse alguém que não lembro: "O Brasil pode ser 95% católico, mas é 100% candomblé". A atenção que deram a Bento XVI, com toda a pompa e cobertura televisiva ostensiva, quando de sua visita ao Brasil, não é de natureza diferente da atenção que recebeu Michael Jackson. O Papa é um significante como outros.
Alguns dos intelectuais tropicais demais ressaltam a nossa malemolência, o não levar a sério as coisas, a palavra que tem um valor diferente do que foi alhures, e por isso não assistimos aqui as guerras fratricidas que antes houveram na Europa, especialmente as guerras religiosas. Nunca assistimos, no Brasil e no resto da América Latina, uma verdadeira "reforma protestante". Mas a palavra ganha força na medida em que ela é operadora de Justiça. E se há de vir alguma palavra religiosa que tenha a força efetiva de mover as coisas da sociedade, ela certamente não virá do Vaticano ou dos televangelistas oportunistas, mas de nossos honrosos objetores de consciência da Teologia da Libertação.
Grande coisa. Eis o que tenho a dizer sobre isso:
Não é o Papa que está ali do lado do trabalhador do campo quando são perseguidos, ameaçados e executados nos conflitos no campo. Não é o Papa que denuncia as violações de DDHH por parte de fazendeiros e seus capangas. Não é o Papa que está ali do lado do preso quando é mal-tratado, esmagado numa cela junto com mais 30, torturado por funcionários ou executado por outros presos. Não é o Papa que está ali do lado acompanhando a situação dos menores abandonados. Não e o Papa que está perto de miséria e fome e injustiça.
São os padres militantes, como os das Pastorais, que estão ali, que ultrapassam a picuinha moral e estão preocupados com a questão social, porque a vêem bem à sua frente, e oferecem uma verdadeira resposta moral a ela. Padres que não recusam seu papel político nos conflitos, que são figuras em simbiose com as comunidades, cuja autoridade não está referendada por uma hierarquia rígida lá do outro lado do Atlântico. Ao contrário, é um tipo especial latino-americano, perseguido desde antes da Guerra Fria, que está do lado dos marginalizados, que foi combatido com a "renovação carismática", preterido por padres conservadores e xaropes, como aqueles que usam o momento do sermão pra criticar o big brother brasil e outras futilidades, ao invés de olhar de frente o demônio da desigualdade social.
Enquanto esses padres militantes sentem sua força moral quando em nome dos desfavorecidos, os conservadores só sentem sua força quando são muito mais fracos aqueles que foram nomeados como seus inimigos. São fervorosos, mostram toda a disposição para o combate, quando do outro lado do campo de batalha estão, por exemplo, mulheres que escolhem abortar e não podem conversar sobre o assunto livremente. É tamanha a falsidade de consciência, que, pra justificar sua mecânica de linchamento, falam sempre em nome de abstrações e projetam em suas nemesis uma falsa ameaça. Como quando se opõem a homossexuais acusando neles um risco à espécie humana. Ou quando opõem-se às pesquisas com células-tronco e falam, tal como na objeção ao aborto, em nome de um bebê abstrato que supostamente vive nelas. Esses conservadores sempre buscam "testar sua fé", mostrar seu valor de mensageiro da palavra, contra os mais fracos.
A hierarquia católica foi defendida a ferro e fogo desde os tempos do nunca; essa hierarquia, do ponto de vista da burocracia religiosa, é seu valor mais caro. Então é preciso que se diga: a intenção do vaticano não é exatamente empulhar a eleição de Dilma Rousseff, muito menos o Papa se simpatiza com José Serra. Bento XVI, assim como fizera João Paulo II, dá sequência a uma antiga luta entre, de um lado, a cúpula da hierarquia católica, e, do outro, os curas do terceiro mundo que, à revelia das diretrizes políticas do Vaticano, se solidarizam com os oprimidos nas situações políticas. Uma declaração dessas por parte do papa serve para forçar o amansamento político dessas figuras dissidentes e a cooptação dos jovens seminaristas para o lado "do bem", e não do lado dos "comunistas subversivos que querem instalar uma república sindicalista no Brasil" (já que Serra nos trouxe de volta aos anos 60...)
Não devemos nos assustar com o papa "do bem". Mais ainda: acho que não devemos superestimar o poder desses movimentos político-religiosos dessas eleições. Somos "o maior país católico do mundo", mas desde o século XIX, Nina Rodrigues já sabia que, em um país de diferentes raças coexistindo, essas estatísticas costumam enganar facilmente. Ou, como disse alguém que não lembro: "O Brasil pode ser 95% católico, mas é 100% candomblé". A atenção que deram a Bento XVI, com toda a pompa e cobertura televisiva ostensiva, quando de sua visita ao Brasil, não é de natureza diferente da atenção que recebeu Michael Jackson. O Papa é um significante como outros.
Alguns dos intelectuais tropicais demais ressaltam a nossa malemolência, o não levar a sério as coisas, a palavra que tem um valor diferente do que foi alhures, e por isso não assistimos aqui as guerras fratricidas que antes houveram na Europa, especialmente as guerras religiosas. Nunca assistimos, no Brasil e no resto da América Latina, uma verdadeira "reforma protestante". Mas a palavra ganha força na medida em que ela é operadora de Justiça. E se há de vir alguma palavra religiosa que tenha a força efetiva de mover as coisas da sociedade, ela certamente não virá do Vaticano ou dos televangelistas oportunistas, mas de nossos honrosos objetores de consciência da Teologia da Libertação.
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Carta aberta a FHC, por Theotonio dos Santos
In: http://theotoniodossantos.blogspot.com/2010/10/carta-aberta-fernando-henrique-cardoso.html
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
CARTA ABERTA A FERNANDO HENRIQUE CARDOSO
Meu caro Fernando
Vejo-me na obrigação de responder a carta aberta que você dirigiu ao Lula, em nome de uma velha polêmica que você e o José Serra iniciaram em 1978 contra o Rui Mauro Marini, eu, André Gunder Frank e Vânia Bambirra, rompendo com um esforço teórico comum que iniciamos no Chile na segunda metade dos nos 1960. A discussão agora não é entre os cientistas sociais e sim a partir de uma experiência política que reflete comtudo este debate teórico. Esta carta assiada por você como ex-presidente é uma defesa muito frágil teórica e politicamente de sua gestão. Quem a lê não pode compreender porque você saiu do governo com 23% de aprovação enquanto Lula deixa o seu governo com 96% de aprovação. Já discutimos em várias oportunidades os mitos que se criaram em torno dos chamados êxitos do seu governo. Já no seu governo vários estudiosos discutimos, já no começo do seu governo, o inevitável caminho de seu fracasso junto à maioria da população. Pois as premissas teóricas em que baseava sua ação política eram profundamente equivocadas e contraditórias com os interesses da maioria da população. (Se os leitores têm interesse de conhecer o debate sobre estas bases teóricas lhe recomendo meu livro já esgotado: Teoria da Dependencia: Balanço e Perspectivas, Editora Civilização Brasileira, Rio, 2000).
Contudo nesta oportunidade me cabe concentrar-me nos mitos criados em torno do seu governo, os quais você repete exaustivamente nesta carta aberta.
O primeiro mito é de que seu governo foi um êxito econômico a partir do fortalecimento do real e que o governo Lula estaria apoiado neste êxito alcançando assim resultados positivos que não quer compartir com você... Em primeiro lugar vamos desmitificar a afirmação de que foi o plano real que acabou com a inflação. Os dados mostram que até 1993 a economia mundial vivia uma hiperinflação na qual todas as economias apresentavam inflações superiores a 10%. A partir de 1994, TODAS AS ECONOMIAS DO MUNDO APRESENTARAM UMA QUEDA DA INFLAÇÃO PARA MENOS DE 10%. Claro que em cada pais apareceram os “gênios” locais que se apresentaram como os autores desta queda. Mas isto é falso: tratava-se de um movimento planetário.
No caso brasileiro, a nossa inflação girou, durante todo seu governo, próxima dos 10% mais altos. TIVEMOS NO SEU GOVERNO UMA DAS MAIS ALTAS INFLAÇÕES DO MUNDO. E aqui chegamos no outro mito incrível. Segundo você e seus seguidores (e até setores de oposição ao seu governo que acreditam neste mito) sua política econômica assegurou a transformação do real numa moeda forte. Ora Fernando, sejamos cordatos: chamar uma moeda que começou em 1994 valendo 0,85 centavos por dólar e mantendo um valor falso até 1998, quando o próprio FMI exigia uma desvalorização de pelo menos uns 40% e o seu ministro da economia recusou-se a realizá-la “pelo menos até as eleições”, indicando assim a época em que esta desvalorização viria e quando os capitais estrangeiros deveriam sair do país antes de sua desvalorização, O fato é que quando você flexibilizou o cambio o real se desvalorizou chegando até a 4,00 reais por dólar. E não venha por a culpa da “ameaça petista” pois esta desvalorização ocorreu muito antes da “ameaça Lula”. ORA, UMA MOEDA QUE SE DESVALORIZA 4 VEZES EM 8 ANOS PODE SER CONSIDERADA UMA MOEDA FORTE? Em que manual de economia? Que economista respeitável sustenta esta tese?
Conclusões: O plano real não derrubou a inflação e sim uma deflação mundial que fez cair as inflações no mundo inteiro. A inflação brasileira continuou sendo uma das maiores do mundo durante o seu governo. O real foi uma moeda drasticamente debilitada. Isto é evidente: quando nossa inflação esteve acima da inflação mundial por vários anos, nossa moeda tinha que ser altamente desvalorizada. De maneira suicida ela foi mantida artificialmente com um alto valor que levou à crise brutal de 1999.
Segundo mito; Segundo você, o seu governo foi um exemplo de rigor fiscal. Meu Deus: um governo que elevou a dívida pública do Brasil de uns 60 bilhões de reais em 1994 para mais de 850 bilhões de dólares quando entregou o governo ao Lula, oito anos depois, é um exemplo de rigor fiscal? Gostaria de saber que economista poderia sustentar esta tese. Isto é um dos casos mais sérios de irresponsabilidade fiscal em toda a história da humanidade.
E não adianta atribuir este endividamento colossal aos chamados “esqueletos” das dívidas dos estados, como o fez seu ministro de economia burlando a boa fé daqueles que preferiam não enfrentar a triste realidade de seu governo. UM GOVERNO QUE CHEGOU A PAGAR 50% AO ANO DE JUROS POR SEUS TÍTULOS, PARA EM SEGUIDA DEPOSITAR OS INVESTIMENTOS VINDOS DO EXTERIOR EM MOEDA FORTE A JUROS NORMAIS DE 3 A 4%, NÃO PODE FUGIR DO FATO DE QUE CRIOU UMA DÍVIDA COLOSSAL SÓ PARA ATRAIR CAPITAIS DO EXTERIOR PARA COBRIR OS DÉFICITS COMERCIAIS COLOSSAIS GERADOS POR UMA MOEDA SOBREVALORIZADA QUE IMPEDIA A EXPORTAÇÃO, AGRAVADA AINDA MAIS PELOS JUROS ABSURDOS QUE PAGAVA PARA COBRIR O DÉFICIT QUE GERAVA. Este nível de irresponsabilidade cambial se transforma em irresponsabilidade fiscal que o povo brasileiro pagou sob a forma de uma queda da renda de cada brasileiro pobre. Nem falar da brutal concentração de renda que esta política agravou dráticamente neste pais da maior concentração de renda no mundo. VERGONHA FERNANDO. MUITA VERGONHA. Baixa a cabeça e entenda porque nem seus companheiros de partido querem se identifica com o seu governo...te obrigando a sair sozinho nesta tarefa insana.
Terceiro mito - Segundo você, o Brasil tinha dificuldade de pagar sua dívida externa por causa da ameaça de um caos econômico que se esperava do governo Lula. Fernando, não brinca com a compreensão das pessoas. Em 1999 o Brasil tinha chegado à drástica situação de ter perdido TODAS AS SUAS DIVISAS. Você teve que pedir ajuda ao seu amigo Clinton que colocou à sua disposição ns 20 bilhões de dólares do tesouro dos Estados Unidos e mais uns 25 BILHÕES DE DÓLARES DO FMI, Banco Mundial e BID. Tudo isto sem nenhuma garantia.
Esperava-se aumentar as exportações do pais para gerar divisas para pagar esta dívida. O fracasso do setor exportador brasileiro mesmo com a espetacular desvalorização do real não permitiu juntar nenhum recurso em dólar para pagar a dívida. Não tem nada a ver com a ameaça de Lula. A ameaça de Lula existiu exatamente em conseqüência deste fracasso colossal de sua política macro-econômica. Sua política externa submissa aos interesses norte-americanos, apesar de algumas declarações críticas, ligava nossas exportações a uma economia decadente e um mercado já copado. A recusa dos seus neoliberais de promover uma política industrial na qual o Estado apoiava e orientava nossas exportações. A loucura do endividamento interno colossal. A impossibilidade de realizar inversões públicas apesar dos enormes recursos obtidos com a venda de uns 100 bilhões de dólares de empresas brasileiras. Os juros mais altos do mundo que inviabilizava e ainda inviabiliza a competitividade de qualquer empresa. Enfim, UM FRACASSO ECONOMICO ROTUNDO que se traduzia nos mais altos índices de risco do mundo, mesmo tratando-se de avaliadoras amigas. Uma dívida sem dinheiro para pagar... Fernando, o Lula não era ameaça de caos. Você era o caos. E o povo brasileiro correu tranquilamente o risco de eleger um torneiro mecânico e um partido de agitadores, segundo a avaliação de vocês, do que continuar a aventura econômica que você e seu partido criou para este pais.
Gostaria de destacar a qualidade do seu governo em algum campo mas não posso faze-lo nem no campo cultural para o qual foi chamado o nosso querido Francisco Weffort (neste então secretário geral do PT) e não criou um só museu, uma só campanha significativa. Que vergonha foi a comemoração dos 500 anos da “descoberta do Brasil”. E no plano educacional onde você não criou uma só universidade e entou em choque com a maioria dos professores universitários sucateados em seus salários e em seu prestígio profissional. Não Fernando, não posso reconhecer nada que não pudesse ser feito por um medíocre presidente.
Lamento muito o destino do Serra. Se ele não ganhar esta eleição vai ficar sem mandato, mas esta é a política. Vocês vão ter que revisar profundamente esta tentativa de encerrar a Era Vargas com a qual se identifica tão fortemente nosso povo. E terão que pensar que o capitalismo dependente que São Paulo construiu não é o que o povo brasileiro quer. E por mais que vocês tenham alcançado o domínio da imprensa brasileira, devido suas alianças internacionais e nacionais, está claro que isto não poderia assegurar ao PSDB um governo querido pelo nosso povo. Vocês vão ficar na nossa história com um episódio de reação contra o vedadeiro progresso que Dilma nos promete aprofundar. Ela nos disse que a luta contra a desigualdade é o verdadeiro fundamento de uma política progressista. E dessa política vocês estão fora.
Apesar de tudo isto, me dá pena colocar em choque tão radical uma velha amizade. Apesar deste caminho tão equivocado, eu ainda gosto de vocês ( e tenho a melhor recordação de Ruth) mas quero vocês longe do poder no Brasil. Como a grande maioria do povo brasileiro. Poderemos bater um papo inocente em algum congresso internacional se é que vocês algum dia voltarão a freqüentar este mundo dos intelectuais afastados das lides do poder.
Com a melhor disposição possível mas com amor à verdade, me despeço
Theotonio Dos Santos
thdossantos@terra.com.br, /theotoniodossantos.blogspot.com/
Theotonio Dos Santos é Professor Emérito da Universidade Federal Fluminense, Presidente da Cátedra da UNESCO e da Universidade das Nações Unidas sobre economia global e desenvolvimentos sustentável. Professor visitante nacional sênior da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
CARTA ABERTA A FERNANDO HENRIQUE CARDOSO
Meu caro Fernando
Vejo-me na obrigação de responder a carta aberta que você dirigiu ao Lula, em nome de uma velha polêmica que você e o José Serra iniciaram em 1978 contra o Rui Mauro Marini, eu, André Gunder Frank e Vânia Bambirra, rompendo com um esforço teórico comum que iniciamos no Chile na segunda metade dos nos 1960. A discussão agora não é entre os cientistas sociais e sim a partir de uma experiência política que reflete comtudo este debate teórico. Esta carta assiada por você como ex-presidente é uma defesa muito frágil teórica e politicamente de sua gestão. Quem a lê não pode compreender porque você saiu do governo com 23% de aprovação enquanto Lula deixa o seu governo com 96% de aprovação. Já discutimos em várias oportunidades os mitos que se criaram em torno dos chamados êxitos do seu governo. Já no seu governo vários estudiosos discutimos, já no começo do seu governo, o inevitável caminho de seu fracasso junto à maioria da população. Pois as premissas teóricas em que baseava sua ação política eram profundamente equivocadas e contraditórias com os interesses da maioria da população. (Se os leitores têm interesse de conhecer o debate sobre estas bases teóricas lhe recomendo meu livro já esgotado: Teoria da Dependencia: Balanço e Perspectivas, Editora Civilização Brasileira, Rio, 2000).
Contudo nesta oportunidade me cabe concentrar-me nos mitos criados em torno do seu governo, os quais você repete exaustivamente nesta carta aberta.
O primeiro mito é de que seu governo foi um êxito econômico a partir do fortalecimento do real e que o governo Lula estaria apoiado neste êxito alcançando assim resultados positivos que não quer compartir com você... Em primeiro lugar vamos desmitificar a afirmação de que foi o plano real que acabou com a inflação. Os dados mostram que até 1993 a economia mundial vivia uma hiperinflação na qual todas as economias apresentavam inflações superiores a 10%. A partir de 1994, TODAS AS ECONOMIAS DO MUNDO APRESENTARAM UMA QUEDA DA INFLAÇÃO PARA MENOS DE 10%. Claro que em cada pais apareceram os “gênios” locais que se apresentaram como os autores desta queda. Mas isto é falso: tratava-se de um movimento planetário.
No caso brasileiro, a nossa inflação girou, durante todo seu governo, próxima dos 10% mais altos. TIVEMOS NO SEU GOVERNO UMA DAS MAIS ALTAS INFLAÇÕES DO MUNDO. E aqui chegamos no outro mito incrível. Segundo você e seus seguidores (e até setores de oposição ao seu governo que acreditam neste mito) sua política econômica assegurou a transformação do real numa moeda forte. Ora Fernando, sejamos cordatos: chamar uma moeda que começou em 1994 valendo 0,85 centavos por dólar e mantendo um valor falso até 1998, quando o próprio FMI exigia uma desvalorização de pelo menos uns 40% e o seu ministro da economia recusou-se a realizá-la “pelo menos até as eleições”, indicando assim a época em que esta desvalorização viria e quando os capitais estrangeiros deveriam sair do país antes de sua desvalorização, O fato é que quando você flexibilizou o cambio o real se desvalorizou chegando até a 4,00 reais por dólar. E não venha por a culpa da “ameaça petista” pois esta desvalorização ocorreu muito antes da “ameaça Lula”. ORA, UMA MOEDA QUE SE DESVALORIZA 4 VEZES EM 8 ANOS PODE SER CONSIDERADA UMA MOEDA FORTE? Em que manual de economia? Que economista respeitável sustenta esta tese?
Conclusões: O plano real não derrubou a inflação e sim uma deflação mundial que fez cair as inflações no mundo inteiro. A inflação brasileira continuou sendo uma das maiores do mundo durante o seu governo. O real foi uma moeda drasticamente debilitada. Isto é evidente: quando nossa inflação esteve acima da inflação mundial por vários anos, nossa moeda tinha que ser altamente desvalorizada. De maneira suicida ela foi mantida artificialmente com um alto valor que levou à crise brutal de 1999.
Segundo mito; Segundo você, o seu governo foi um exemplo de rigor fiscal. Meu Deus: um governo que elevou a dívida pública do Brasil de uns 60 bilhões de reais em 1994 para mais de 850 bilhões de dólares quando entregou o governo ao Lula, oito anos depois, é um exemplo de rigor fiscal? Gostaria de saber que economista poderia sustentar esta tese. Isto é um dos casos mais sérios de irresponsabilidade fiscal em toda a história da humanidade.
E não adianta atribuir este endividamento colossal aos chamados “esqueletos” das dívidas dos estados, como o fez seu ministro de economia burlando a boa fé daqueles que preferiam não enfrentar a triste realidade de seu governo. UM GOVERNO QUE CHEGOU A PAGAR 50% AO ANO DE JUROS POR SEUS TÍTULOS, PARA EM SEGUIDA DEPOSITAR OS INVESTIMENTOS VINDOS DO EXTERIOR EM MOEDA FORTE A JUROS NORMAIS DE 3 A 4%, NÃO PODE FUGIR DO FATO DE QUE CRIOU UMA DÍVIDA COLOSSAL SÓ PARA ATRAIR CAPITAIS DO EXTERIOR PARA COBRIR OS DÉFICITS COMERCIAIS COLOSSAIS GERADOS POR UMA MOEDA SOBREVALORIZADA QUE IMPEDIA A EXPORTAÇÃO, AGRAVADA AINDA MAIS PELOS JUROS ABSURDOS QUE PAGAVA PARA COBRIR O DÉFICIT QUE GERAVA. Este nível de irresponsabilidade cambial se transforma em irresponsabilidade fiscal que o povo brasileiro pagou sob a forma de uma queda da renda de cada brasileiro pobre. Nem falar da brutal concentração de renda que esta política agravou dráticamente neste pais da maior concentração de renda no mundo. VERGONHA FERNANDO. MUITA VERGONHA. Baixa a cabeça e entenda porque nem seus companheiros de partido querem se identifica com o seu governo...te obrigando a sair sozinho nesta tarefa insana.
Terceiro mito - Segundo você, o Brasil tinha dificuldade de pagar sua dívida externa por causa da ameaça de um caos econômico que se esperava do governo Lula. Fernando, não brinca com a compreensão das pessoas. Em 1999 o Brasil tinha chegado à drástica situação de ter perdido TODAS AS SUAS DIVISAS. Você teve que pedir ajuda ao seu amigo Clinton que colocou à sua disposição ns 20 bilhões de dólares do tesouro dos Estados Unidos e mais uns 25 BILHÕES DE DÓLARES DO FMI, Banco Mundial e BID. Tudo isto sem nenhuma garantia.
Esperava-se aumentar as exportações do pais para gerar divisas para pagar esta dívida. O fracasso do setor exportador brasileiro mesmo com a espetacular desvalorização do real não permitiu juntar nenhum recurso em dólar para pagar a dívida. Não tem nada a ver com a ameaça de Lula. A ameaça de Lula existiu exatamente em conseqüência deste fracasso colossal de sua política macro-econômica. Sua política externa submissa aos interesses norte-americanos, apesar de algumas declarações críticas, ligava nossas exportações a uma economia decadente e um mercado já copado. A recusa dos seus neoliberais de promover uma política industrial na qual o Estado apoiava e orientava nossas exportações. A loucura do endividamento interno colossal. A impossibilidade de realizar inversões públicas apesar dos enormes recursos obtidos com a venda de uns 100 bilhões de dólares de empresas brasileiras. Os juros mais altos do mundo que inviabilizava e ainda inviabiliza a competitividade de qualquer empresa. Enfim, UM FRACASSO ECONOMICO ROTUNDO que se traduzia nos mais altos índices de risco do mundo, mesmo tratando-se de avaliadoras amigas. Uma dívida sem dinheiro para pagar... Fernando, o Lula não era ameaça de caos. Você era o caos. E o povo brasileiro correu tranquilamente o risco de eleger um torneiro mecânico e um partido de agitadores, segundo a avaliação de vocês, do que continuar a aventura econômica que você e seu partido criou para este pais.
Gostaria de destacar a qualidade do seu governo em algum campo mas não posso faze-lo nem no campo cultural para o qual foi chamado o nosso querido Francisco Weffort (neste então secretário geral do PT) e não criou um só museu, uma só campanha significativa. Que vergonha foi a comemoração dos 500 anos da “descoberta do Brasil”. E no plano educacional onde você não criou uma só universidade e entou em choque com a maioria dos professores universitários sucateados em seus salários e em seu prestígio profissional. Não Fernando, não posso reconhecer nada que não pudesse ser feito por um medíocre presidente.
Lamento muito o destino do Serra. Se ele não ganhar esta eleição vai ficar sem mandato, mas esta é a política. Vocês vão ter que revisar profundamente esta tentativa de encerrar a Era Vargas com a qual se identifica tão fortemente nosso povo. E terão que pensar que o capitalismo dependente que São Paulo construiu não é o que o povo brasileiro quer. E por mais que vocês tenham alcançado o domínio da imprensa brasileira, devido suas alianças internacionais e nacionais, está claro que isto não poderia assegurar ao PSDB um governo querido pelo nosso povo. Vocês vão ficar na nossa história com um episódio de reação contra o vedadeiro progresso que Dilma nos promete aprofundar. Ela nos disse que a luta contra a desigualdade é o verdadeiro fundamento de uma política progressista. E dessa política vocês estão fora.
Apesar de tudo isto, me dá pena colocar em choque tão radical uma velha amizade. Apesar deste caminho tão equivocado, eu ainda gosto de vocês ( e tenho a melhor recordação de Ruth) mas quero vocês longe do poder no Brasil. Como a grande maioria do povo brasileiro. Poderemos bater um papo inocente em algum congresso internacional se é que vocês algum dia voltarão a freqüentar este mundo dos intelectuais afastados das lides do poder.
Com a melhor disposição possível mas com amor à verdade, me despeço
Theotonio Dos Santos
thdossantos@terra.com.br, /theotoniodossantos.blogspot.com/
Theotonio Dos Santos é Professor Emérito da Universidade Federal Fluminense, Presidente da Cátedra da UNESCO e da Universidade das Nações Unidas sobre economia global e desenvolvimentos sustentável. Professor visitante nacional sênior da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Serra, o catimbeiro maluco
Serra poderia ter simplesmente lucrado eleitoralmente com o incidente de um grupo de militantes do PT interrompendo a manifestação tucana. Podia simplesmente ficar quieto, e deixar o oligopólio midiático "capitalizar" a história. Aliás, diga-se: já "capitalizaram", ou seja, mentiram:
"[Citado de brasilianas.org:] O Globo On Line tascou logo a manchete: 'Serra é agredido durante campanha no Rio', com um texto no qual Serra se faz de vítima falando que os militantes petistas partiram para cima dele, acusando a militancia de nazista para baixo. / Entretanto, a CBN, que cobria o evento ao vivo, narrava de forma diferente os acontecimentos: os petistas exibiam cartazes com os dizeres “Quem é Paulo Preto?” e gritavam a mesma pergunta; os tucanos não gostaram e partiram pra cima dos petistas. A CBN descrevia as cenas enquanto ocorriam. / O Globo e a CBN precisam combinar quando quiserem mentir…(Luis Nassif on line)"
Ok. Mesmo que a primeira agressão tenha sido dos seguranças tucanos, de todo modo não era legítima a atitude de interromper a atividade da campanha serrista. Serra podia ficar quieto. E deixar o oligopólio de mídia fazer o trabalho sujo de manipular as imagens e o discurso, assim como tem feito.
Mas não. Serra não podia ficar pra trás na competição de quem mente mais. Sabemos que Serra mente. E mente compulsivamente. Ele tinha, tinha mesmo, que dar um toque pessoal no incidente. É mais forte que ele.
Prestem atenção no "projétil" que Índio da Costa descreveu como "aquele pacote enorme. Bateu na cabeça dele e fez até barulho. Um negócio pesado. Devia ter uns dois quilos"
Alguns tuítes em #SerraRojas #boladepapelfacts, pra fechar o dia em bom humor:
iavelar RT @Meteste: Bilhões de anos atrás, uma bola de papel caiu na terra e extinguiu os dinossauros #boladepapelfacts #Serrarojas
gferreirasantos: Tomografia constatou o que muita gente já sabia: #SerraRojas não tem nada na cabeça
leonel_paredes #serrarojas foi atingido por uma bolinha de papel, se fosse uma bolha de sabão acusaria o Pt de usar armas quimicas
luanlego "Fita crepe é o caralho! Meu nome é #bolinhadepapel ,porra!" #SerraRojas #boladepapelfacts
"[Citado de brasilianas.org:] O Globo On Line tascou logo a manchete: 'Serra é agredido durante campanha no Rio', com um texto no qual Serra se faz de vítima falando que os militantes petistas partiram para cima dele, acusando a militancia de nazista para baixo. / Entretanto, a CBN, que cobria o evento ao vivo, narrava de forma diferente os acontecimentos: os petistas exibiam cartazes com os dizeres “Quem é Paulo Preto?” e gritavam a mesma pergunta; os tucanos não gostaram e partiram pra cima dos petistas. A CBN descrevia as cenas enquanto ocorriam. / O Globo e a CBN precisam combinar quando quiserem mentir…(Luis Nassif on line)"
Ok. Mesmo que a primeira agressão tenha sido dos seguranças tucanos, de todo modo não era legítima a atitude de interromper a atividade da campanha serrista. Serra podia ficar quieto. E deixar o oligopólio de mídia fazer o trabalho sujo de manipular as imagens e o discurso, assim como tem feito.
Mas não. Serra não podia ficar pra trás na competição de quem mente mais. Sabemos que Serra mente. E mente compulsivamente. Ele tinha, tinha mesmo, que dar um toque pessoal no incidente. É mais forte que ele.
Prestem atenção no "projétil" que Índio da Costa descreveu como "aquele pacote enorme. Bateu na cabeça dele e fez até barulho. Um negócio pesado. Devia ter uns dois quilos"
Alguns tuítes em #SerraRojas #boladepapelfacts, pra fechar o dia em bom humor:
iavelar RT @Meteste: Bilhões de anos atrás, uma bola de papel caiu na terra e extinguiu os dinossauros #boladepapelfacts #Serrarojas
gferreirasantos: Tomografia constatou o que muita gente já sabia: #SerraRojas não tem nada na cabeça
leonel_paredes #serrarojas foi atingido por uma bolinha de papel, se fosse uma bolha de sabão acusaria o Pt de usar armas quimicas
luanlego "Fita crepe é o caralho! Meu nome é #bolinhadepapel ,porra!" #SerraRojas #boladepapelfacts
sábado, 16 de outubro de 2010
Manifesto em Defesa da Educação Pública
MANIFESTO DE PROFESSORES UNIVERSITÁRIOS EM DEFESA DA EDUCAÇÃO PÚBLICA
http://emdefesadaeducacao.wordpress.com/
(atualizado às 22h00, em 15/10/2010)
Manifesto em Defesa da Educação Pública
Nós, professores universitários, consideramos um retrocesso as propostas e os métodos políticos da candidatura Serra. Seu histórico como governante preocupa todos que acreditam que os rumos do sistema educacional e a defesa de princípios democráticos são vitais ao futuro do país.
Sob seu governo, a Universidade de São Paulo foi invadida por policiais armados com metralhadoras, atirando bombas de gás lacrimogêneo. Em seu primeiro ato como governador, assinou decretos que revogavam a relativa autonomia financeira e administrativa das Universidades estaduais paulistas. Os salários dos professores da USP, Unicamp e Unesp vêm sendo sistematicamente achatados, mesmo com os recordes na arrecadação de impostos. Numa inversão da situação vigente nas últimas décadas, eles se encontram hoje em patamares menores que a remuneração dos docentes das Universidades federais.
Esse “choque de gestão” é ainda mais drástico no âmbito do ensino fundamental e médio, convergindo para uma política de sucateamento da Rede Pública. São Paulo foi o único Estado que não apresentou, desde 2007, crescimento no exame do Ideb, índice que avalia o aprendizado desses dois níveis educacionais.
Os salários da Rede Pública no Estado mais rico da federação são menores que os de Tocantins, Roraima, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Espírito Santo, Acre, entre outros. Somada aos contratos precários e às condições aviltantes de trabalho, a baixa remuneração tende a expelir desse sistema educacional os professores qualificados e a desestimular quem decide se manter na Rede Pública. Diante das reivindicações por melhores condições de trabalho, Serra costuma afirmar que não passam de manifestação de interesses corporativos e sindicais, de “tró-ló-ló” de grupos políticos que querem desestabilizá-lo. Assim, além de evitar a discussão acerca do conteúdo das reivindicações, desqualifica movimentos organizados da sociedade civil, quando não os recebe com cassetetes.
Serra escolheu como Secretário da Educação Paulo Renato, ministro nos oito anos do governo FHC. Neste período, nenhuma Escola Técnica Federal foi construída e as existentes arruinaram-se. As universidades públicas federais foram sucateadas ao ponto em que faltou dinheiro até mesmo para pagar as contas de luz, como foi o caso na UFRJ. A proibição de novas contratações gerou um déficit de 7.000 professores. Em contrapartida, sua gestão incentivou a proliferação sem critérios de universidades privadas. Já na Secretaria da Educação de São Paulo, Paulo Renato transferiu, via terceirização, para grandes empresas educacionais privadas a organização dos currículos escolares, o fornecimento de material didático e a formação continuada de professores. O Brasil não pode correr o risco de ter seu sistema educacional dirigido por interesses econômicos privados.
No comando do governo federal, o PSDB inaugurou o cargo de “engavetador geral da república”. Em São Paulo, nos últimos anos, barrou mais de setenta pedidos de CPIs, abafando casos notórios de corrupção que estão sendo julgados em tribunais internacionais. Sua campanha promove uma deseducação política ao imitar práticas da extrema direita norte-americana em que uma orquestração de boatos dissemina dogmas religiosos. A celebração bonapartista de sua pessoa, em detrimento das forças políticas, só encontra paralelo na campanha de 1989, de Fernando Collor.
Confira a lista de assinaturas em:
http://emdefesadaeducacao.wordpress.com/
http://emdefesadaeducacao.wordpress.com/
(atualizado às 22h00, em 15/10/2010)
Manifesto em Defesa da Educação Pública
Nós, professores universitários, consideramos um retrocesso as propostas e os métodos políticos da candidatura Serra. Seu histórico como governante preocupa todos que acreditam que os rumos do sistema educacional e a defesa de princípios democráticos são vitais ao futuro do país.
Sob seu governo, a Universidade de São Paulo foi invadida por policiais armados com metralhadoras, atirando bombas de gás lacrimogêneo. Em seu primeiro ato como governador, assinou decretos que revogavam a relativa autonomia financeira e administrativa das Universidades estaduais paulistas. Os salários dos professores da USP, Unicamp e Unesp vêm sendo sistematicamente achatados, mesmo com os recordes na arrecadação de impostos. Numa inversão da situação vigente nas últimas décadas, eles se encontram hoje em patamares menores que a remuneração dos docentes das Universidades federais.
Esse “choque de gestão” é ainda mais drástico no âmbito do ensino fundamental e médio, convergindo para uma política de sucateamento da Rede Pública. São Paulo foi o único Estado que não apresentou, desde 2007, crescimento no exame do Ideb, índice que avalia o aprendizado desses dois níveis educacionais.
Os salários da Rede Pública no Estado mais rico da federação são menores que os de Tocantins, Roraima, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Espírito Santo, Acre, entre outros. Somada aos contratos precários e às condições aviltantes de trabalho, a baixa remuneração tende a expelir desse sistema educacional os professores qualificados e a desestimular quem decide se manter na Rede Pública. Diante das reivindicações por melhores condições de trabalho, Serra costuma afirmar que não passam de manifestação de interesses corporativos e sindicais, de “tró-ló-ló” de grupos políticos que querem desestabilizá-lo. Assim, além de evitar a discussão acerca do conteúdo das reivindicações, desqualifica movimentos organizados da sociedade civil, quando não os recebe com cassetetes.
Serra escolheu como Secretário da Educação Paulo Renato, ministro nos oito anos do governo FHC. Neste período, nenhuma Escola Técnica Federal foi construída e as existentes arruinaram-se. As universidades públicas federais foram sucateadas ao ponto em que faltou dinheiro até mesmo para pagar as contas de luz, como foi o caso na UFRJ. A proibição de novas contratações gerou um déficit de 7.000 professores. Em contrapartida, sua gestão incentivou a proliferação sem critérios de universidades privadas. Já na Secretaria da Educação de São Paulo, Paulo Renato transferiu, via terceirização, para grandes empresas educacionais privadas a organização dos currículos escolares, o fornecimento de material didático e a formação continuada de professores. O Brasil não pode correr o risco de ter seu sistema educacional dirigido por interesses econômicos privados.
No comando do governo federal, o PSDB inaugurou o cargo de “engavetador geral da república”. Em São Paulo, nos últimos anos, barrou mais de setenta pedidos de CPIs, abafando casos notórios de corrupção que estão sendo julgados em tribunais internacionais. Sua campanha promove uma deseducação política ao imitar práticas da extrema direita norte-americana em que uma orquestração de boatos dissemina dogmas religiosos. A celebração bonapartista de sua pessoa, em detrimento das forças políticas, só encontra paralelo na campanha de 1989, de Fernando Collor.
Confira a lista de assinaturas em:
http://emdefesadaeducacao.wordpress.com/
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